quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Criaturas criadoras (parte I)

Então, escolhes a grafia, a caneta, o escritor, o escrito, ou qualquer coisa que seja mencionada?

O falante mais eloqüente não se iguala a grandeza da língua, menos a natureza da fala, nunca ao poder da conversação. Quem tão inventivo a ponto de se apropriar da comunicação; dom, capacidade biológica? Mas há de existir tempos em tempos, gênios. Aqueles que se apropriam não só da sua língua, da capacidade de expressar-se humano, para produzir mensagens que fazem de tudo isso mero coadjuvante. Poucos são os que chamam a atenção pela forma como o dizem teses, mas não acho quem me tome em emoção ao fazer o poder entender e ser entendido um detalhe diante da tese que expõe.

Realmente um escritor se faz pela forma como escreve, um orador por sua facúndia, um jogador por sua performance, um homem pela essência de seus atos. Mas por que tão pouca importância se dá ao criador, na arte? É. Porque aplaudir aos técnicos, aos artistas burocratas, é ir de encontro à criatividade. O que se escreve, o que se diz, o que se faz, valerá mais do que o valor do conteúdo do escrito, dito, feito? Cria, não aquele que produz sensações com algo desenvolvido de uma forma diferente. O gênio é aquele que tem novidade a apresentar, uma nova tese, mesmo que não a saiba escrever ou explicar. Talvez por isso seja ainda mais difícil se deparar com um gênio. Ele deverá estar ileso da procura imposta pela técnica, lucidez, sabedoria, e, além disso, estar atento a sua criatividade infusa, nata.

Em um gramado, não surgirá facilmente uma flor. O homem vazio do mundo é como uma terra fértil e exposta, onde poderá brotar cada semente que o vento possa lá deixar. Ali, quando o tudo brotar, haverá algo de genial.

Continua...

(André Falcão Freire)

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