leva a mão suada no olho
que remelava, agora arde,
o dedo com entranhas de piolho
procura na vista acuidade
limpa os ticos de catarro seco
quase rasga a narina
enquanto cheira a cera
presa na unha
e a meleca com um peteleco
arremessa para cima
cospe pra tentar não sentir
o gosto amargo da língua
mas não consegue fugir dos dentes
com tártaro e limo de baixo a cima
ao rosto cheio de pústulas
salpicado de amarelo de sânie
leva a mesma mão e espreme
e jorra um humor verde-rúcula
(André Falcão Freire)
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
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