(parte I, referente ao início da introdução)
Mote:
Manifesto do Partido Comunista (1948, Friederich Engels e Karl Marx)
* ipsis literis.
** adaptado pelo autor para a métrica de redondilha.
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“Anda um espectro pela Europa
- o espectro do comunismo.” *
Nada destro, bamba topa,
O maestro mais sinistro,
De desafinada orquestra:
Um é ministro da sopa,
Outro administra tropa,
Outro adestra e todos dopa,
O mais tolo aconselha
A usar estopa vermelha.
Mas, espectro saberiam
Dar dicionário registro:
Morto em imagem fantástica?
Mostram na choupa entusiástica
Ou dessaber e não lustro,
Ou premonição do monstro.
“Poderes da velha Europa
Aliam-se a nos caçar” *
Quem é de bem e dá nota
Que não quereria ver morta
Essa patota devassa
Com cortina de fumaça
A tudo laça e sabota,
Quer a massa amordaçar
Propondo os olhos furar
Para não ver a desgraça?
“É a primeira oposição
que não sofre vilipêndio” **
Não tereis recordação?
Em vero não há um dispêndio
De energia entre o igual
Contra o oposto em situação
Mas que boa vontade tem.
Entretanto sois o mal
Versus sempre esteve o bem.
...
(André Falcão Freire)
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
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Sobre os três trechos:
ResponderExcluir1. Os próprios sujeitos se chamam de espectro (Spektrum, em alemão), ou seja, de acordo com dicionário da ABL: s. m. 1. Imagem fantástica de um morto (...).
2. Se dizem perseguidos pela Velha Europa. Ora, e o que é a velha Europa na própria definição de Friederich Engels e Karl Marx? O Papa (Sua Santidade) e o Tsar (Sua Majestade Real & Imperial) - símbolos não de poder (já que a sucessão não é feita por política), mas da tradição cristã do ocidente (ROMA) e do oriente eslavo (Kiev, teve toda influência da ortodoxia cristã de BIZÂNCIO), respectivamente. Ainda audaciosos, continuam a chamar de Velha Europa: Metternich (príncipe do Império Austríaco, um dos mais distintos apoiantes da reconquista absolutista em Portugal), Guizot (Ministro da Instrução Pública, que instalou a cátedra de Direito Constitucional na Faculdade de Direito de Paris). E ainda chama de Velha Europa que os caça as Polícias Alemãs (instituições de caráter público, não político, que representam o direito do povo de ver executada a Lei e a Ordem).
3. Sobre dizer que eram os primeiros oposicionistas na história a chamar a atenção, nisso talvez eles acertaram. Mas não foi a política comunista que os fez foco das luminárias e centro das atenções, foi o que eles representavam. E eles representavam algo que os curandeiros já se importavam, os druídas, os profetas, Abraão, Isaac, Jacó, Cristo... Eles representam o mal, a desordem a proposta de caos social e degradação do homem.
André Falcão Freire