Senta o paciente a sua frente...
Saberás o que ele sente?
Medes sem que ele interaja,
Com notícias da gazeta,
Quanto que ele está zureta?
Com o talhe da barba alarmas.
Como sem querer assunta,
Forjas, forças perguntas.
Ainda mais falsa encorajas:
“- Ora, meu jovem, reaja!”
E haja paciência pra carga...
Logo se engaja a alopata,
Dando quase que imediata
A diagnose, da marca.
Passa uma dose amarga,
Remédio que diz que trata
Gente que tem alma parva.
O fármaco tem negra cinta.
A cor com que ela nos pinta,
Contrária a da vestimenta,
Cai bem a adornar muleta.
E o doído doido indaga:
“– Quando na prescrição arfas,
Muda apenas de vanguarda.
Dentro da bata, acrobata,
Tu que farda tranca trajas
Pra quê tantas pretas tarjas?”
(André Falcão Freire)
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
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